Inclusão de surdos na escola
INCLUSÃO
Inclusão de surdos na escola
Talvez ela seja a mais polêmica das inclusões escolares. Conheça a ideia da escola bilíngue e outros aspectos defendidos pela comunidade surda
05/09/2013 14:25
Texto Cynthia Costa
Escolas voltadas para o ensino de deficientes auditivos já existem no Brasil, mas os números ainda não são suficientes
O ideal de inclusão defendido pelas leis atuais prevê que todas as crianças frequentem a escola regular, e esta deve se fazer apta a recebê-las. Mas o que acontece quando a primeira língua dos alunos não for o português? A questão se complica. Os surdos têm como primeira língua aquela com a qual se sentem mais à vontade, e que os ajuda a expressar melhor ideias e sentimentos: a língua de sinais brasileira (ou Libras). E é por isso que, em sua maioria, a comunidade surda - representada, entre outros órgãos, pela Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis) - defende não a inclusão em classes comuns, mas a existência de escolas bilíngues, com salas em que sejam ensinados a língua de sinais e o português escrito.
E já existem várias dessas escolas em todo o Brasil, embora ainda não suficientes para os jovens e crianças com surdez ou deficiência auditiva, que somam quase um milhão no país (cerca de 5% da população brasileira declara ter dificuldades para ouvir, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Com a ajuda de Sônia Marta de Oliveira, professora e tradutora-intérprete da língua de sinais de Belo Horizonte (MG), e a psicopedagoga Mary Lopes Frizanco, de Santo André (SP), levantamos a seguir pontos essenciais para compreender a inclusão do aluno surdo ou deficiente auditivo na escola.